então, fim de semana passado fui pra Pomerode, interior de Santa Catarina, perto de Blumenau. Fui meio sem expectativa, pra ser sincera. Cidade pequena, população bem menor que um bairro de São Paulo, e eu já ia preparada pra achar tudo bonitinho mas sem graça.
Não foi bem assim.
A cidade inteira parece que foi construída por gente que realmente se importava com cada detalhe. As casas no centro são no estilo enxaimel, aquela técnica alemã de encaixar madeira sem prego nem parafuso, e ficam ali, arrumadinhas, com jardim na frente, quase artificiais de tão perfeitas. Fiquei tirando foto que nem turista de excursão, sem nenhuma vergonha.
Fizemos parte da Rota do Enxaimel, que é basicamente um roteiro de casas históricas preservadas, e confesso que imaginei que ia ser chato. Não foi. Cada casa tinha uma história diferente, e o guia falava com um orgulho de quem realmente gosta do que faz, não aquele discurso decorado de sempre.
À noite comemos marreco, prato típico da região, num restaurante pequeno onde a dona veio pessoalmente perguntar se tava tudo bem. Coisa que definitivamente não acontece na cidade grande. Fiquei tão sem graça que só consegui balançar a cabeça que sim.
Visitamos o zoológico também, que é surpreendentemente grande pra uma cidade desse tamanho, e passamos um tempo bom só andando, sem pressa nenhuma. Ninguém checando celular a cada dois minutos. Foi estranho no começo. Depois ficou bom.
No fim do dia, sentada numa praça vendo o movimento (bem pouco movimento, diga-se), me peguei pensando se eu não tava, tipo, um pouquinho encantada demais pra alguém que jurou que ia manter a pose. Juro que tentei não gostar tanto assim. Não deu muito certo.
Voltei pra São Paulo com chocolate artesanal na mala e uma vontade estranha de voltar. Não vou fingir que entendi completamente o que senti lá. Só sei que não foi indiferença.